Curitiba Também Samba: a cidade que provou que também tem samba no pé
Curitiba não é uma cidade que a gente costuma associar ao samba.
A fama é outra: capital fria, arquitetura europeia, influência alemã e polonesa em cada esquina do centro histórico. Cidade de suéter em pleno verão, não de pandeiro e cavaquinho. É essa imagem que o nome de um festival recente resolveu provocar de frente: Curitiba Também Samba.
O “também” no nome não é acaso. É resposta.
Um mito que já tinha data pra cair
Antes de qualquer festival, antes de qualquer line-up de pagode nacional, Curitiba já tinha uma resposta pronta pra quem duvidava da sua relação com o samba — só que essa resposta é bem mais antiga do que qualquer evento de hoje.
Em 1946, nasceu na cidade a Escola de Samba Colorado, considerada por muitos o berço do samba curitibano. Ao longo de mais de seis décadas de história, a escola formou músicos, levou enredos à avenida e construiu uma das baterias mais respeitadas do carnaval paranaense — mesmo nunca tendo sido a mais rica ou a mais pomposa da cidade.
Existe até um registro em livro sobre essa trajetória, que descreve bem o que a Colorado sempre teve que enfrentar: contestar “o mito preconceituoso que insiste em se perpetuar e afirmar que em Curitiba não há samba e que na região nunca houve carnaval.”
Ou seja: quase 80 anos antes de qualquer festival levar esse nome, Curitiba já vinha, na prática, provando que também samba.
Do estacionamento para o gramado
Se a Colorado representa a raiz histórica, o Curitiba Também Samba representa o capítulo mais recente dessa mesma história — agora em escala de festival.
A primeira edição, em setembro de 2025, reuniu cerca de 7 mil pessoas na área do estacionamento do Complexo Durival de Britto e Silva, com um line-up puxado por Menos é Mais, Ferrugem e Kamisa 10. Não era um evento pequeno, mas também não tinha ainda o porte que ganharia depois.
Para a edição seguinte, a organização decidiu ir além: levar o festival do estacionamento para o gramado da Vila Capanema, ampliando estrutura e capacidade. É um movimento que só faz sentido quando a resposta do público confirma que aquilo que parecia um experimento vinha, na verdade, tocando em algo real — uma cidade que queria samba, e não sabia direito onde encontrar.
Uma cidade, duas gerações de samba
Colocar a Escola Colorado e o Curitiba Também Samba lado a lado não é forçar uma conexão. É reconhecer duas gerações do mesmo movimento.
A Colorado carregou o samba de Curitiba por décadas, muitas vezes na base da resistência e do orgulho de quem constrói cultura sem holofote.
O Curitiba Também Samba chega décadas depois, em outro formato — grande festival, line-up nacional, milhares de pessoas — mas carregando exatamente a mesma provocação que já estava na origem da escola: a de que essa cidade, teimosamente, também samba.
Para quem cresceu ouvindo que “Curitiba não tem samba”, talvez a resposta sempre tenha estado ali, só que em um bairro, uma escola, uma bateria que nem sempre chegou às manchetes.
Hoje, ela chega em forma de festival — e segue crescendo.
Quem quiser acompanhar a próxima edição e entender como esse capítulo mais recente da história está sendo escrito pode conferir todos os detalhes do evento na página oficial do Curitiba Também Samba no Baladas Floripa
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